O setor agropecuário teve papel relevante no desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) do Ceará em 2025, com crescimento de 2,55%, segundo dados divulgados pelo Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece), na terça-feira (24). No mesmo período, o setor de serviços avançou 3,09%, e a indústria 1,99%.
Para o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará (Faec), Amílcar Silveira, o resultado evidencia a relevância do setor produtivo rural na economia estadual. “Isso mostra a força do setor produtivo do Ceará, especialmente do agro, que vem contribuindo de forma decisiva para o crescimento da economia do estado. É um trabalho que vem sendo feito ao longo do tempo, com investimento, com tecnologia, e que tem dado resultado. A gente espera continuar contribuindo cada vez mais para o desenvolvimento do Ceará”, afirmou.
Segundo Amílcar, o desempenho do agro não é pontual, mas resultado de um processo contínuo de investimentos e modernização, com impacto direto na sustentação do crescimento econômico. A avaliação também aponta expectativa de manutenção ou ampliação dessa contribuição nos próximos anos.
Segmentos
De acordo com o Ipece, o desempenho da agropecuária em 2025 foi influenciado por fatores climáticos. A disponibilidade hídrica ao longo do ano favoreceu culturas irrigadas, com destaque para melão, maracujá e banana, além do crescimento na produção de frutas como pitaya, graviola e acerola. A horticultura também apresentou expansão em diversas culturas.
Por outro lado, a produção de sequeiro, especialmente de milho e feijão, foi afetada pela menor quantidade de chuvas, resultando em queda na produção de cereais e leguminosas. A baixa produtividade, as incertezas climáticas e a redução da área plantada também contribuíram para esse cenário.
Já a produção de castanha de caju registrou forte retração, impactada por redução de área, menor rendimento, substituição de plantas e problemas climáticos, além da incidência de pragas e doenças.
Na pecuária, o principal destaque foi a atividade leiteira, com crescimento de 21,45%, impulsionada por melhorias genéticas do rebanho, que elevaram a produtividade e atenderam à demanda da indústria de laticínios. Os rebanhos bovino e suíno também apresentaram crescimento, enquanto a avicultura avançou de forma mais moderada. Já a produção de ovos manteve trajetória de queda.