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“Um novo ciclo da pecuária leiteira no Ceará”, por Josias Lima

Um novo ciclo da pecuária leiteira no Ceará

Por Josias Lima, coordenador estadual do Programa FIV Ceará da Faec

O Projeto FIV Ceará representa uma das iniciativas mais relevantes para a modernização da pecuária leiteira cearense nos últimos anos. Fruto da parceria entre a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará (Faec) e o Sebrae/CE, o programa ultrapassou, em menos de três anos, a marca de 2 mil embriões inovulados, consolidando-se como instrumento para elevar a eficiência produtiva de pequenos e médios produtores rurais.

A iniciativa partiu de uma demanda do presidente da Faec, Amílcar Silveira, com o propósito de ampliar a competitividade do setor leiteiro por meio do melhoramento genético do rebanho. Mais do que um avanço tecnológico, o projeto demonstra como a biotecnologia pode transformar a realidade econômica do semiárido cearense.

A meta de elevar a produção média de leite por vaca dos atuais 6,7 litros diários para cerca de 15 litros por animal mostra o impacto esperado da Fertilização in Vitro (FIV) sobre a produtividade. Com manejo nutricional adequado e matrizes oriundas da FIV, já é possível alcançar produções entre 30 e 35 litros de leite por animal ao dia, patamar que aproxima a pecuária cearense de índices observados nas maiores bacias leiteiras do país.

Os ganhos não se restringem ao aumento da produção. O avanço genético proporciona maior eficiência econômica, com estimativa de crescimento de cerca de 20% na receita bruta das fazendas. Além disso, matrizes de alta qualidade genética permitem a obtenção de crias superiores por meio de biotecnologias já consolidadas no meio rural, como a Inseminação Artificial (IA) e a Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF), potencializando o desenvolvimento do rebanho ao longo das gerações.

Desde a fase piloto, iniciada em 2023, o Projeto FIV Ceará contabiliza 664 nascimentos. Em 2024, Faec e Sebrae firmaram um convênio com previsão de investimentos superiores a R$ 5 milhões para a entrega de 3 mil prenhezes. Os números reforçam que a transferência de embriões por meio da FIV não é apenas uma inovação reprodutiva, mas uma ferramenta decisiva para acelerar o progresso genético e ampliar a sustentabilidade econômica da pecuária leiteira cearense.