Projeto inédito realiza tratamento de água no semiárido cearense

Projeto Piloto da FAEC transforma água salobra em potável para consumo humano e pode ser utilizado também para a atividade agrícola. Carlos Bezerra supervisiona o projeto.

A estiagem continua impondo aos produtores rurais a busca por medidas de convivência com a seca. Uma realidade que a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará (FAEC), com o financiamento do Banco do Nordeste, busca modificar a partir de um projeto piloto de dessalinização de águas salobras. O sistema móvel possui autonomia para tratar até 500 litros de água por hora, com o uso de energia solar.

O dessalinizador funciona colocando alta pressão na membrana de osmose que é permeável apenas à água. De um lado o líquido é purificado, do outro o rejeito concentra as impurezas em uma porção menor. Por padrão e para garantir a potabilidade da água, amostras da água tratada serão coletadas e enviadas para análise laboratorial.

O Projeto de Validação e Difusão de Tecnologia para Tratamento de Água no Semiárido é móvel e possui autonomia energética, graças ao sistema de placas solares que alimenta o equipamento.

De acordo com o professor de Química de Minerais da UFC, Lindomar Roberto, um dos colaboradores do projeto, a ideia é retirar a salobridade da água disponível nas propriedades rurais. “Conseguimos desenvolver um produto, de natureza mineral que agregada à membrana de osmose, consegue entregar água potável à população” afirma.

O vice-presidente da FAEC, Carlos Bezerra, explica que o município de Ibaretama terá a primeira experiência com o dessalinizador. “É um trabalho para atender à zona rural, aos pequenos e médios produtores rurais que tenham alguma água disponível na propriedade. Conseguimos, por exemplo, bombear o líquido de um poço ou de outra fonte, tratá-la com o dessalinizador e torná-la potável até para o consumo humano”, garante Bezerra.

O produtor rural Rafânio Nobre, morador de Ibaretama, comemorou com expectativa a inovação, tendo em vista, a mobilidade e autonomia elétrica do equipamento a partir do uso de energia solar vai “facilitar o processo direto na propriedade rural”.

“Moramos em uma região em que 90% dos poços profundos possuem bastante salinidade na água e esse equipamento nos permitirá um suporte para a retirada do sal da água, tornado-a mais propícia ao consumo” comemora Rafânio Nobre.